quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

poema para os pássaros e para os peixes

minha priminha, Mari



O Pássaro não sabe se voa ou se nada; o pássaro não sabe de nada. Os peixes não distinguem se voam ou se nadam. Analisando friamente os movimentos são os mesmos, o uso de asas-nadadeiras, o aproveitamento de correntes (de ar e de água) e a limitação ao pélago. Estes seres pelágicos, que flutuam no corpo da água ou no corpo do ar simplesmente se movem, ou melhor, o movimento é que se movimenta neles, como quis Pessoa. O avião e o submarino, ave-peixe artificial, também não tem consciência se voa ou se nada. Mas é certo que quando choram, os peixes choram lágrimas transparentes. Morcego não é pássaro, baleia não é peixe, golfinho não é peixe. É certo que uma ave-maria, um ave-césar não passarão. A diferença do aquário para a gaiola evidentemente é a água. Engaiolados, os pássaros cantam uma música triste. Aquarianos, os peixes choram.



Quando a gente acende a luz, pra onde vai a escuridão?




Lelê Teles, Brasília

Um comentário:

Aglacy disse...

Do meu universo libriano,
não marinara ainda
as aflições aquarianas
que atingem piscianos vários.
Talvez me deva pôr num barco
que me prenda mar afora,
mergulho em mundo alheio.
Assim-por-dentro-aquariada,
talvez sinta, talvez saiba
que fora do corpo do rio,
que longe do corpo do mar,
é ali mesmo o lugar
onde a escuridão vai se achar.