Lelê Teles, Brasília.
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
e ela é tão linda
Lelê Teles, Brasília.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
in natura
Lelê Teles, Brasília.
eu, você e a chuva

nihil
lenaquarta-feira, 22 de abril de 2009
o papai noel dos miseráveis
Lelê Teles, Brasília.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
durma com um barulho desses
segunda-feira, 30 de março de 2009
nefertari, a mais bela
Lelê Teles, Brasília
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 10 de março de 2009
my michelle
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
sarah

Cresceu sob o manto rígido do pai e acostumou-se à ausência da mãe. Sempre que podia o pai lembrava que sua mãe, Ana, havia ido embora com outro homem e que a deixou porque não queria mais a filha, queria liberdade. O pai a descrevia como uma libertina impudente e criou a filha, Sarah, pra ser o oposto da mãe; para tanto, sempre que conversavam, contava-lhe as fugas noturnas da mãe, os amantes que o pai fingia ignorar para manter a família e os papos com macho ao telefone, com ele na sala, vendo televisão e fingindo não saber do que se tratava; era um homem domesticado, conivente e frouxo. Um corno manso, em suma.
Sara nunca falou em namoros nem em meninos em casa. Vivia às voltas com umas amiguinhas. Aos quinze anos, Sarah já era uma mocinha formosa. Busto apojado, lábios lânguidos, olhar ingênuo, corpo saliente… A cada dia Rodolfo notava uma nova semelhança com a mãe. O jeito de sorrir e mexer nos cabelos, a maneira de olhar para os homens - misto de convidativa e desinteressada -, o sorriso largo e folgado, a preferência por roupas que lhe desnudavam as coxas, as calcinhas minúsculas, quase inexistentes…
Três meses depois, numa tarde de chuva intensa, Sarah brincava de rodopios debaixo d'água, Rodolfo lambia a vidraça da janela, entre lágrimas. Uma buzina toca, duas, três vezes. Rodolfo e Sarah não ouvem. Até que Ana entra subitamente no quintal. Vê a filha rodando, nua, e enxerga o pai à janela. Ana grita o nome de Sarah, Sarah se vira e vê a mãe. Ana tira o chale que lhe cobre o corpo e veste a filha. As duas se abraçam molhadas. Ana pede pra filha olhar a janela e Sarah vê o pai, fala baixinho pra mãe que ele sempre a vê tomando banho. Rodolfo vê Ana abraçada com Sarah e não sabe como reagir, fica ali, parado, inerte, inútil.
Chegando na bela e ampla casa de Ana, Sarah se depara com quadros da mãe, pintados em grafite. Ana em poses sensuais, sempre com um lençol branco ao fundo, os tons em preto e branco, as coxas sempre mais grossas do que são realmente, os seios também eram estilizados, maiores, mais volumosos, jactantes.
Ana diz que o marido é artista plástico e fotógrafo e um homem muito bom pra ela, leal, fiel e amantíssimo. Disse que desde que conheceu Raul nunca mais quis saber de outro homem, que ele era maravilhoso, carinhoso, amante de vinhos, de versos e de valsas. Infelizmente Raul estava viajando, chegaria dali a duas semanas.
Sarah conhece o seu quarto, já montado para recebê-la. Sorri de felicidade, as duas tomam vinho e conversam até adormecer. Ficam amigas, Sarah fala pra mãe sobre os desejos proibidos do pai, a mãe chora. Afaga a filha, beija-a. Pergunta se ele a violou, ela responde que ainda é virgem. A mãe a olha com ternura.
Lelê Teles, Brasília
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
hai kai balão
shoot the shoeVEJA,
O GLOBO
É UMA FOLHA MORTA
Hai kai ONGuico:
SE ACABAR A MISÉIRA NO MUNDO
EU MORRO DE FOME
Hai kai neoliberal:
SÓ O ESTADO
PRA ME TIRAR
DESTE ESTADO
Hai kai vegetariano:
hai kai bolivariano:
hai kai neocon:
Hai Kai Moderno:
A GENTE SE AMA!
Lelê Teles, Brasília
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
os homens-alicerce
EMPOLEIRADOS EM PAUS-DE-ARARA EMPOEIRADOS
terça-feira, 25 de novembro de 2008
E se você estivesse aqui
Lelê Teles, Brasília
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
todo en la vida es sueño
A magestosa e caríssima Ponte JK. "Uns querem transformá-la em cartão-postal; outros, em inquérito policial" (GOG). segunda-feira, 17 de novembro de 2008
seus olhos garços
Tem uma coisa magnética nos seus olhos garços que não cabem nos meus versos, porque imantam tudo ao seu redor, como um buraco negro que se alimenta de universo; tem uma flor imarcescível que desabrocha quando você abaixa o seu olhar tímido, uma lâmina lânguida que dá vontade de lambê-la; uma lírica líquida.
Tem uma coisa aí que tenho medo de saber o que é realmente, temo decifrá-los e eles me devorarem.
Dá pra sentir o cheiro fragrante dos seus olhos como a gota de um suor que escorre dos lacrimais... tem uma coisa nesses olhos que é demais!
Lelê Teles, Brasília
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
cidadãos do mundo
Ainda na legenda: Pierre Weil, Lelê Teles, Caretinha, Gilmar, Geovane, Tarsila, Marck Sacco, Pajman, Gustavo, Moranguinho, 3 Estrelinhas, Jonisval, Andréia, Vanessa, Sergie, André, Dr. Fahad...sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Morre Pierre Weill
Voa, vovô, voa
Vai, Pierre, Weill
Singra no ar com tuas asas alvas
adeja no mar como uma pomba náufraga
arrebenta sereno na beira do cais.
Pra sempre a lembrança:
A maturidade encanecida nos cabelos comprova
A vivacidade e a candura de um belo rapaz
Na maternidade estelar renasce como uma supernova
Vá Pierre,
em paz!
Lelê Teles, Brasília
terça-feira, 14 de outubro de 2008
terça-feira, 30 de setembro de 2008
um frevo de capiba
Se a madame tem em casa um frevo, destes de Capiba, ponha na vitrola. Ponha também uma sombrinha na mão da moça. Pronto, a alegria tá posta!
quarta-feira, 21 de maio de 2008
lindas
lenastemos giulita, uma joaninha sapeca, lépida e inteligente. amiga-nos, ama-nos, une-nos; ludicamente. temos como que um coração que se reparte em três, mas que não se divide. temos tantos momentos felizes juntos. tantos sorrisos, tantas ternuras. tantros... tantras...
e temos, ainda, uma vida inteira pela frente.
ecofagia ou eco-lógica
QUEREM A FLORESTA VIRGEM
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QUANDO FALAM EM MEIO AMBIENTE
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O QUE EU QUERO É
seu estrelo e o fuá de terreiro
sim, nós temos um mito. Lelê Teles, Brasília eu vi nascer um calango na cabeça do amigo. diferente de todos os calangos do cerrado, esse nosso pequeno dinossauro era um pterodáctilo empoeirado, um pégasus que rasteja, o mítico Calango Alado. e toda uma fauna exótica nascia com ele: elefante, gavião, caliandra, Sinhá, Biu, Cantadô, Pescadô... e cada minina bunita, cada pé de fulô. o folguedo se assanha a gritos, batuqes e apitos. a gente se assenta ao rito, à roda, ritmo e riso; e o troço mais bonito é o desenrolar deste mito. o povo se refestela, a fauna se gravanha, o coração da gente martela, a alma da gente se banha. Agradeço mil vezes a Tico, demiurgo criador encantado, que tem a alma suja de mangue e tem no sangue a poeira líquida do cerrado. | |||
segunda-feira, 31 de março de 2008
Gorete e a ressurreição
em segundo plano a turba curiosa, estupefata. à frente, com passos lentos, vai surgindo o moribundo agora vivo. Assim que transpõe o umbral da cova, a figura de Lázaro vai sendo preenchida pela luz quente das áridas paragens da Judéia. a turba recua um pouco, boquiaberta e assustada. Marta e Maria avançam lentamente para próximo do irmão.
Jesus permanece imóvel, impávido, incólume. Lázaro, então, rompe o silêncio: mas o que significa isso?, fala, olhando para as ataduras cheias de chagas que envolvia o seu corpo outrora moribundo. quem fez isso comigo?, pergunta, enfático e furioso.
os curiosos ficaram ainda mais assustados, recuando um pouco, chocados.
não seria fácil pra nós vivermos sem ti, Lázaro! disse Maria, sua irmã, enquanto Marta a afagava. Lázaro, colérico: então foi pra satisfazer vocês que me trouxeram de volta? quer dizer que enquanto vocês viverem eu terei que, uma vez morrendo, ressuscitar para fazê-las feliz, até que as duas morram?!
Jesus, então, resolve falar: Lázaro, Deus é contigo. felizes estão as tuas irmãs, e cheio de júbilo está o povo que presenciou mais uma das graças do Pai.
Lázaro, então, num ataque de fúria, se lança para cima do Mestre da Galiléia. por quê você fez isso comigo, cara? por quê me trouxe de volta?! e Lázaro olhava no fundo dos olhos-pélagos do Deus em carne. furioso: Você sabia onde eu estava; o que mais me indigna é que Você sabia onde eu estava! se Você teve o poder de me trazer de volta, Você poderia ter me perguntado se eu desejava voltar. Mas não. Você quis satisfazer a vontade de minhas irmãs e seguir na Sua campanha, no Seu proselitismo profético, às custas do meu amargo retorno. eu quero que Você me mande de volta, agora!
a turba urra de curiosidade, uns olhando para os outros, todos interrogativos. Lázaro volta para a tumba de onde saíra - sinistro ato -, e de lá grita: Jesus... não quero que ninguém entre aqui, nem Você e nem minhas irmãs, até que Você me mande de volta para o lugar de onde me tirou, sem pedir a minha permissão. as irmãs choram convulsivamente. Jesus coça a cabeça... cai o pano.
porra, Fabão. mas isso é muito forte. qual é o sentido de se encenar isso, cara? Gorete, tá afim ou não de dirigir a peça? não sei Fabão, lê de novo, tô confusa.
estávamos, eu e Gorete, num ritual nayambing, na chácara de uns amigos rastafaris, da Guiana Inglesa, ouvindo a deliciosa música gospel dos rastas, e o retumbar dos tambores sincopados. era lua cheia, e eu realmente gosto de estar com esses caras, é uma religião deliciosa e interessante a deles, e eles são puros e verdadeiros, isso me encanta, a mim e à Gorete.
numa pausa pra comer, eu lia pra Gorete uma peça que escrevi sobre Lázaro e gostaria que ela dirigisse. Gorete me disse que tinha white widow e ia acender um só pra ver se eu conseguiria convencê-la a dirigir a peça. como os tambores do nayambing, o white widow é irrecusável.
eu disse a ela, enquanto fumávamos, banhados pela lua e ao som longínquo dos tambores: Gorete, a ressurreição de Lázaro é uma contradição à pregação do mestre. como assim, Fabão?
Gorete, lembra que em Atos dos Apóstolos 3:1-10, Pedro e João encontram um coxo à porta do Templo, a esmolar? "não temos ouro nem prata, mas o que temos lhe damos, e fez o coxo andar normalmente", completou Gorete. e nós Gorete, não chegamos a conclusão no dia em que lemos isso juntos que não fazia sentido com a doutrina do Cristo? de facto, Fabão, chagamos a conclusão que o Mestre não curou ninguém que não tenha buscado a cura, a fé é que curava as pessoas, segundo a doutrina do Cristo; Pedro foi arrogante em seu proselitismo, fez o que nem o mestre teve o despudor de fazer. isso mesmo, Gorete, o homem pediu esmola e não que lhe retificassem as pernas; Pedro não podia se arvorar como mágico; a cura milagrosa e a fé caminham juntas.
no entanto, querida, em Lázaro, vemos uma única vez Jesus intervir por alguém que não clamou por ele. porra, Fabão, é isso! e Jesus, quando foi ressuscitado por Deus, ficou entre os vivos poucos dias, só até dar as últimas instruções aos discípulos, depois foi para as tais outras moradas, onde vive Jacó e Elias, que também não morreram, foram arrebatados para o "céu". por que diabos ele fez Lázaro viver de novo num lugar cheio de cegos, coxos, entrevados, mancos, prostitutas e sanguinários legionários romanos? o cara tava no paraíso! né não, Gorete?! e quer saber mais, querida, os egípcios também criam em ressurreição, por isso se enterravam com seus súditos e familiares, envoltos a todas as jóias que tinham. criam que, não importam para onde fossem, voltar pra cá seria sempre melhor. o Mulçumano que se explode por aí, crê no além, lá ele sabe como é, tem Alá e muitas mulheres virgens esperando-o para amar lascivamente. o cristão não sabe o que é o paraíso e talvez por isso não creia nele com tanto fervor. lembre de Peter Tosh: todo cristão quer ir pro céu, mas nenhum quer morrer! minha vó, Gorete, agonizava no leito de morte, já velha, sem andar, sem sentir o sabor das coisas e tendo que ser lavada por outras pessoas, assim mesmo ela se apegava ao terço e pedia a Deus que não a mandasse para o paraíso, ela queira continuar viva, mesmo que em condições degradantes; eu cheguei à conclusão que minha vó não cria com fervor que havia uma outra vida e um outro lugar.
os cristãos, Gorete, não contestam a ressurreição de Lázaro porque no fundo não crêem que Lázaro pudesse estar em um reino de bonança e paz, eles acham lindo a ressurreição de Lázaro, acham normal que Cristo tenha trazido alguém da "outra morada" para reviver no deserto da Judéia. ora, se Lázaro vivia aqui e morreu, logo ele vivia em outro lugar; elementar. ao voltar pra cá ressuscitado, teve que morrer no outro lugar onde vivia. a ressurreição é, por tanto, além da volta à vida, uma segunda morte!
e a onda do white widow bateu. ouvíamos o som longínquo dos tambores, de boca aberta e quase babando. e não dissemos mais uma única palavra. A lua também nada disse.
Lelê Teles, Brasília.
sábado, 29 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
terça-feira, 18 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
terça-feira, 4 de março de 2008
segunda-feira, 3 de março de 2008
a quem servem os motoboys?
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
sobre o trabalho
ele, infanteLelê Teles, Brasília
hannah
Se te convidar pra caminhar, será pra correr, pra gente se esconder, ver a lua sumir e o sol nascer.
Lelê Teles
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
tanta coisa a gente quer ser na vida
Meu irmão quer ser moça.
Minha irmã: tirar foto, tirar roupa.
Eu só queria ser a piteira de um narguilé,
Lelê Teles
agora somos três
Defloravam-me em carícias
Ela é como uma santa impudente
Ígnea como um raio indecente
Dança também em leves rodopios
No caleidoscópio de meus encantos
O ventre agarra-me como grilhões
Os olhos fulminam-me vadios
gorete y el ojo de dios

el brillo fluorescente de esa estrella es consecuencia de la expulsión de los gases desde el centro. Esa es la rarísima Nebulosa de la Hélice, creada al final de la vida de una estrella. Solo se la puede ver cada 3,000 años.
gorete está a mi lado, mirando el imagen en un planetario. Sus ojos preguntan, pero mismo que sus labios sepan la respuesta no tienen, ahorita, ganas de decirla. Mi espíritu se aleja de mi cuerpo volando plúmbeo y flátulo, pesado y levísimo.
desde aquí, yo veo una miríada de imágenes e imagino sus sonidos, sus olores, sus sensaciones. Gorete, siempre interrogativa y deísta, mira El Ojo de Dios y se siente una venturosa chica elegida por la Providencia; a mi me parece bien que así le sea, a veces tengo ganas de sentir lo mismo que siente Gorete en algunas ocasiones, su creencia amplifica su placer, su deleite; yo, por mi lado, tengo siempre que racionar lo que siento, haciendo con que la cosa sea una mala onda, sin una plenitud!
intento una ves más mirar El Ojo de Dios, aunque no lo consigo, pero si miro los ojos de Gorete es como se contemplase todas las elucubraciones de las teologías; Gorete es una miríada de emanaciones divinas, aun que ella no lo sepa.
camilinha, como uma coppelia

Lelê Teles, Brasília
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
pangrafismo
Homenagem à arte pangráfica de Luiza Gunther
Lelê Teles, Brasília
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Fuleiragens aforísticas
Fuleiragnes Aforísticas Políticas
O escroque, influenciado por políticos, se põe a pensar:
Ora, se até o Celso Pitta, eu também quero pitar.
Fuleiragens Aforísticas Existenciais
Razão para os homens e ração para os animais.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
poema para os pássaros e para os peixes
Quando a gente acende a luz, pra onde vai a escuridão?
Lelê Teles, Brasília
e ela é tão linda
Lelê Teles, Brasília.
carnaval, carne levare
Carnaval deriva de carne levare
ou
adeus à carne.
ou
À DEUSA CARNE
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
fuleiragens aforísticas III
Por que chamá-lo de Prometeu se ele cumpriu?
Na entrada do estádio em Pequim, na olimpíada:
DIOS ES FIDEL!
Nessa vida ou você rebola ou você dança!
O doc. me pergunta:
O senhor faz sexo com camisinha?
E eu: não, senhor. Só com mulheres!
Lelê Teles, Brasília.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
um frevo de Capiba
Se a madame tem em casa um frevo, destes de Capiba, ponha na vitrola. Ponha também uma sombrinha na mão da moça. Pronto, a alegria tá posta!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Fulieragens aforísticas IV
Escher, auto-retratoFuleiragens aforísticas agnósticas
Adão nasceu grávido de Eva; desconfio que Adão era um cavalo-marinho!
Meu vizinho de quarto era mulçulmano. Para orar ele virava o cú pro céu e orava em flatulantes cânticos. Eu perguntei: amigo, por que ficar nessa posição? E ele: estou orando para Alá. E eu disse: então vá orar pra lá.
No salmo 23 diz-se: ainda que ande pelo vale das sombras... e termina, não temerei mal algum, TUA VARA E O TEU CAJADO ME CONSOLAM!!!!
Os caras nos tempos de Davi não só viviam muitos anos como tinham pênis avantajados, a todo momento lê-se: NASCEU MAIS UM VARÃO NA CASA DE ABRAÃO.
Sem pressa pra chegar ao céu: Templo é dinheiro.
Numa rodinha de maconheiros: O ópio é a religião do povo.
Como poderia o mestre não sorrir se a ave-maria era cheia de graça?
Não tenho medo do diabo, tenho medo de suas diabruras.
o homem sem chifres é um animal indefeso.
Aceita jesus?
Só se ele deixar um scrap!
Deus é fiel; meu marido, não!
Só Ctrl+S salva!
Que Deus te adicione
Lelê Teles, Brasília
Fuleiragens aforísticas V
Escher é o cara.Fuleiragens aforísticas naturíusticas
Ligou o ar-condicionado, tá de frescura!
Nunca mais se ouviu: mais vale um na mão do que dois voando!
Tão querendo entender a linguagem dos golfinhos, ainda nem conseguiram entender a língua do Padre Quevedo, Mangabeira Unger, Inri Cristo e Henri Sobel!
Minha vizinha fala mal das gaiolas que aprisionam os pássaros. Mas toda semana troca a água do aquário!
Malandro é o pardal, que não canta pra não ir pra gaiola!
Dizem que a Amazônia é importante para o mundo, então que o mundo pague para mantê-la de pé!
Dizem que vão dar a floresta amazônica para os europeus e estadunidenses cuidarem; eles não cuidaram nem das florestas deles!
Os europeus não gostam que arranquemos árvores, embora sejam eles que comprem as madeiras.
Brasileiro é aquele que trabalha com o Pau-Brasil. Brasileiro significa lenhador!
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Mar e ana
Mariana tem um espírito ignoto, misterioso e insular, como aquelas que vislumbram ao longe os continentes e seus contingentes. Eu sou a península que te adentra o mar e às vezes o mar que te arrebenta em fúria. Orientando a vaga escura que cava a areia branca: indo e voltando, entrando e saindo; engendrando sonhos, gestando delírios e parindo mundo.Tu vas, tu vas et tu viens
Entre mes reins
tu vas et tuviens
entre mes reins
E je te rejoins"
Lelê Teles, Brasília
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
viagem astral
no memorial JK fiz minha primeira viagem astral
ao som das Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos
o Memorial tem forma piramidal
e serve como tumba para o Faraó do Cerrado
foi a mais agradável sensação de toda minha vida
a de saber minha alma flutuante
e foi confortante perceber que eu tenho um espírito
eu o percebi fora de mim,
embora eu não pudesse vê-lo ou tocá-lo
eu apenas o sentia:
como um transexual sente a ereção rija do falo amputado!
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
quando éramos crianças
quando ainda éramos crianças
infantis eram os nossos desejos
uma noite...
quando a lua te fez mulher
nos enrolamos em um novelo de beijos
E fiacamos ali
emaranhados de ausências
presenteados com nossas presenças
tecendo o passado que nunca tivemos
e o futuo que, talvez, nunca teremos
Quando éramos crianças
não tínhamos ausências:
porque toda criança se basta
Então a gente cresceu
e a criança se libertou e se foi
mas a saudade de dançar ciranda
ainda dança em nossos corações
a tua porção criança vive em mim
a minha em ti
e foram elas que se encontraram quando nus encontramos
porque em nós dois
falta uma coisa tão pequena pra nos preencher
uma coisa do tamanho de uma infância
na medida de nossos sorrisos
e maior que nossas lembranças
Lelê Teles, Brasília
sexta-feira, 4 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
de amor e diamantes
As bátegas rebatiam na vidraça
o frio refreava na varanda
o vento silvava cheio de graça
na orelha dela uma caliandra
na cama, transbordava dentro dela
a chuva de dentro louca pra sair
a chuva de fora escandindo na janela
no canto
a vela velava
no pranto
a vulva votiva se revolvia
no entanto
a sombra dos corpos ardentes bailava
o assombro da cera se derretia
quando finda o fogo
ela hídrica se apaga
quando a vela apaga
se a onda afaga
o fogo fica feito fado
se o corpo afunda
o mar de mim fica revolto
se na maré cheia ela grita deita e lambe
no balouçar das vagas venho e volto
Mar exangue
No bailar de amor de mar e de amantes
aderna barco, quilha ao céu
alveja crista, leva a nau
abraça, amor, rasga o véu
releva a dor que não faz mal!
Lelê Teles, Brasília
o pica-flor
A flor, com sua perna espinhosa e saliente, oculta, em sua minisaia de pétalas, a fonte do néctar dos colibris.Lelê Teles, Brasília
nu vens
tsurama

cavando poemas com o indicador
enfiando os pés na areia quente...
o corpo ensolarado de azuis
De repente
uma torrente de sensações
se infiltra em mim
ao longe ela vem chegando
Ao ouvir
o marulho que precede
o seu agigantar
todos em volta correm em polvorosa
Só eu fico inerte
sorridente, seduzido
após a grande vaga
ela chega e me invade
me descabela, me lambe...
eu mergulho netunicamente por seu corpo aquoso,
férvido, lânguido e lépido
eu penetro-a por suas bocas desnudas
e juntos somos um jorro de delírio e delícia
pela manhã
ela recua sonolenta e lassa
e deixa em mim o sinal da ressaca,
do prazer
da devassa!
Lelê Teles, Brasília
na relva tântrica
Ventava azul na sua voz
A primeira voz que ouvimos
Vinha de nós atados em nós
Depois a vi com homens: lânguida
Depois a vi dançar: vidrante
Depois a vi de longe: lâmina
E passei a me aproximar: galante
Uma noite a encontrei sorrisos
E com bocas para beijar
Dessa vez eu tinha sede
E vontade de saciar
De seus lábios bebi salivas
Em grandes lábios sorvi delícias
Numa árvore nos arvoramos
Com fervor e com carícias
Seus sorrisos me alegram tanto
São tantas bocas a gargalhar
Tudo nela é um encanto
Tudo em mim a faz brilhar
E tava tão úmida e quente
Tão intenso o seu desejo
Que quero estar em braços tântricos
Nas carícias de seus beijos
Lelê Teles, Brasília
sábado, 29 de dezembro de 2007
Feliz 2008
Quando a luz é amena o corpo dela flauta, as coisas flutuam...Jura que em 2008 você não vai mais acreditar que o holocausto foi o maior genocídio da história da humanidade? E que os pretos africanos e os indígenas sul americanos só não estão nos cinemas em meio à explosões de automóveis, tiros, gelo-seco, e merchandising por falta de grana. E não estão nos livros escolares por falta de interesse.
Lelê Teles
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
aniversário de Marla, feliz idades
Lelê Teles, Brasília
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
o arrebol dos subúrbios

O sol se escondia por trás da descor de poeira suja que emoldurava o infinito. O gorjear ficava mais calmo nas ermas paragens. As frondes sacolejavam lentas e sonolentas, a abanar insetos, como cavalo crina a cauda. Cachorro - que é bicho preguiçoso -, escorava no umbral de uma árvore e desarvorava a vida alheia de inveja canina e ferina angústia. Se chovesse teria lama, mas é seco e o ar desventa, poeira sobe sob tudo e sobre troncos. Uma estrela pontilha luz no firmamento; afirmam que se chama Dalva, não me meto a nomear estrelas, um astro não se nomeia assim como se desnomeia ministros, o astro é luz e luz em si já é palavra. No fim era o desverbo.
No descampado, mininos seminus desbrincam com bola de meia, noutro canto mininos de grude deslindam bolas de gude. No bar, os cachaceiros cantam goelas quentes e canas frias. Canelas finas desfilam por toda a paisagem. Esquálida gente emagrece o horizonte. As pipas se soltam sozinhas, gritos de gente chamam gente a gritar. Na varanda, um morcego avoa e aranha ri. Papagaio imita gente e pronuncia águas. Cavalos também habitam, ratos são animais domésticos, tem nome e apelido. Muriçoca vira brinco e baratas voam céu adentro. Nas frechas, fendas, frincas e brechas mulher nua se banha de vento e a gente se ventila a curiar. Há desejo em tudo o que tá vivo, vontade só há no que não morreu, esperança é palavra que não se cala; mininas vão sozinhas de mãos dadas.
Na ruazinha, um poste se enche de luz e escurece as sombras. As antenas estão antenadas no mundo lá fora, umas são improviso e escultura, outras são fabricadas e desfeiam tudo. Quem não olha pro chão pisa em bosta. Quem olha de mais vê o que não quer. Besouro tem olho de anu e voa sem que ciência nenhuma o explique. Dizem que a física do besouro é que está errada, como se besouro inventasse física. Besouro nem faz ginástica.
A rã rima com raiva e relva ri-se de rotina réstia. Retinas retêm rotos remoeres. Dizem que em céu cobra não avoa; vovô descorda, vovô foi cobra e hoje é cabra avoador. Quem tem dente que diga, como se faz pra morder o vento quando ele passa assoviando de viés? Diz que flauta, disso não sei. Qualquer paisagem acolhe gente triste, os sorrisos enfeiam a paisagem, paisagens não têm dentes, paisagens se abrem banguelas por mundos inteiros. Queria ter a paciência das lesmas e andar devagar a foder as pedras, como dizia Manoel de Barros. Lânguidas e gosmentas criaturas desfilam nas pedras virgens. Borboleta azul roça asas no aflato da tarde. O arrebol, que posterioriza o lusco-fusco, grada cores e aquarela tudo. É fim de tarde.
Lelê Teles, Brasília
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
carta sem remetente

http://www.doidademarluquices.blogspot.com/
sábado, 8 de dezembro de 2007
gorete
Lelê Teles, Brasília
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
terça-feira, 20 de novembro de 2007
`as leoninas Giulita, Bi e gabi
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
um nome me vão

berçário estelar na constelação de Órion
Lelê Teles, Brasília
sara gaia, será?
Lelê Teles, Brasília.
a luz da lua
Lelê Teles, Brasília
`as pequenas alice, betina, luanda e luna

Lelê Teles, Brasília
ah, marla
Lelê Teles, Brasília

















































